Terapia Holística

Ao contrário da lógica formal e metodológica da Ciência, a Terapia Holística se traduz por um estado de Arte baseado numa lógica subjetiva e, portanto, isenta de verificação capaz de permitir o homem descobrir a paz e a harmonia por vezes perdidas dentro da racionalidade em que vive.

As enfermidades que tanto nos preocupam atualmente são tão antigas quanto nossa própria origem e podemos presumir que nossos antepassados as enfrentavam utilizando-se de técnicas desenvolvidas através da intuição ou pela simples observação. Nossos ancestrais da Idade da Pedra sofriam de males similares aos do homem moderno, porém, como bons observadores foram capazes de deduzir a estrutura e funções de diversos órgãos assim como estabelecer os efeitos favoráveis de diversas ervas, no tratamento de suas disfunções. Os povos antigos, assim como os índios que ainda hoje não se deixaram civilizar, possuíam uma visão holística dos acontecimentos e os problemas enfrentados por um membro do grupo passavam a ser de todos, pois representava um estado de desarmonia com o Universo. Surge a figura do Xamã, aquele que dentre todos era capaz de entender e lidar com tais problemas.

Com o decorrer dos tempos e dentre as mais variadas culturas, este estado de desarmonia corresponderia a atitudes tomadas em desagrado aos Deuses, às forças da Natureza e ao Universo. Os xamãs atuariam como intérpretes destes sinais descobrindo sinais que pudessem indicar o caminho da terapia a ser utilizada.

Com o surgimento da escrita, os conhecimentos terapêuticos tiveram nela um instrumento para sua perpetuação. Os processos terapêuticos passam a ser exercidos nos templos, pelos sacerdotes, com o surgimento das primeiras escolas do Egito e Mesopotâmia. Na Grécia surgem os templos destinados à prática terapêutica que se sistematiza através dos filósofos pré-socráticos culminando em Hipócrates. Embora seus textos abordassem a prática holística, sua prática propiciou o surgimento do que hoje conhecemos como medicina. Com o Renascimento, a medicina se define como ciência humanista, o mesmo acontecendo durante o Iluminismo, embora este determinasse as bases do método científico contemporâneo.

A explosão das especializações que no século XX impôs-se à prática médica, fez com que os seus profissionais se tornassem grandes detentores de conhecimento específico. Com o desenvolvimento da microbiologia, da patologia, das análises laboratoriais e da indústria farmacêutica a medicina abandona sua visão humanista e se declara como ciência “exata”.

Este modelo criado e desenvolvido ao longo do tempo se baseia na premissa de que o corpo é uma máquina e que a doença consiste numa avaria de alguma de suas peças. Esta premissa tem sua origem na visão dualista de Descartes que considerava mente e corpo como entidades diferentes.

Ao contrário do modelo mecanicista que se concentra no estudo e tratamento do corpo, como se este fosse uma máquina composta de partes e processos químicos responsáveis pelo seu funcionamento, a terapia holística considera o homem como um ser indivisível. Os conceitos holísticos de tratamento que compunham, a milhares de anos, o extenso repertório das filosofias orientais, começam a encontrar sustentação no ocidente através das teorias da física quântica, dos sistemas auto-organizadores e da psicologia transpessoal, que demonstraram, segundo o neurocirurgião Francisco di Biase, que “somos algo mais vasto do que os nossos organismos”.

Segundo a teoria quântica as unidades subatômicas da matéria se apresentam ora como partículas, ora como ondas. Este padrão dinâmico confere o aspecto sólido da matéria formada, a partir deste padrão, através de estruturas estáveis. Isto significa que tudo aquilo que enxergamos, inclusive nossos corpos, são padrões imateriais, resultantes de energia congelada. Segundo Harbas Lal Arora, doutor em física pela Universidade de Waterloo (Canadá), Einstein, autor da equação que demonstra que a matéria é energia congelada, admitiu a existência de energias sutis muito poderosas e que não podiam ser medidas diretamente. Para Harbas, estas formas de energia se manifestariam sob a forma de emoções, sentimentos, vontades e intuições cujos efeitos no corpo poderiam ser mensurados por meio de mudanças nas ondas cerebrais, nos ritmos respiratório e cardíaco e secreções glandulares. Conclui dizendo que: “São energias de nível subatômico. Seus campos transcendem as limitações de espaço, tempo e das energias físicas. E elas têm relevância nos estados de doença, saúde e bem-estar”.

Dentro do processo terapêutico, sob o ponto de vista holístico, é impossível dissociar-se a componente física do emocional e do espiritual. Desta forma, o terapeuta holístico procurará concentrar sua atenção para o estilo de vida do seu cliente, bem como os aspectos de suas relações sociais e emocionais, como também, para a sua alimentação.

Atualmente 75% das escolas de medicina dos Estados Unidos oferecem cursos de especialização em terapias alternativas ou desenvolvem estudos sobre o tema. Até 2001, cerca de 200 hospitais americanos utilizavam terapias não alopáticas como complementação aos tratamentos de seus pacientes. Escolas de medicina de universidades como Harvard, Stanford e Columbia, desenvolvem pesquisas através de departamentos voltados para as terapias alternativas e práticas holísticas oriundas de conhecimento oriental. Na Colúmbia Britânica o Vancouver General Hospital abriu uma clínica para métodos terapêuticos alternativos, incluindo medicina chinesa, acupuntura, cromoterapia e toque terapêutico. Já o Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore, ficou tão impressionado com a pesquisa sobre a prece, que começou a oferecer cursos sobre fé e seus efeitos na cura, para médicos em treinamento. Somente nos EUA, 50 mil terapeutas participam de 120 milhões de tratamentos/ano, sendo que 30 mil profissionais possuem formação em toque terapêutico. Estima-se que 270 milhões de americanos já recorrem a algum tipo de tratamento não convencional, o que corresponde a uma quantidade de atendimentos 30% superior às consultas convencionais.

No Brasil já se percebe uma abertura da medicina convencional em relação a outros métodos de cura, através de médicos ligados ao Hospital do Servidor Municipal de São Paulo e à Universidade de São Paulo. No Rio de Janeiro, no Hospital Universitário Gaffre Guinle, o Reiki é oferecido em serviço ambulatorial, coordenado pela Dra. Regina Macri. No Brasil, já é de 150 mil o número dos profissionais que atuam como terapeutas holísticos.

O Dr. Bernie Siegel, professor da Universidade Yale e médico cirurgião em New Heaven – Conneticut, em seu livro Amor, Medicina e Milagres, afirma que “os médicos continuam procedendo como se fosse a doença que ataca as pessoas, em vez de compreender que são as pessoas que contraem as doenças por se tornarem susceptíveis às causas”. O seu livro mostra ainda, como afeto e a energia espiritual são capazes de superar males que a ciência não pode ou não sabe curar.






Copyright © 2005 :: Kiron Espaço Terapêutico Holístico - Produção e Gerência: Aktuell Produtora Web