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Envelhecimento e Ritmo de Vida

Podemos considerar vida e renovação como tendo, de certa forma, o mesmo significado. Isto porque, para que o milagre da vida aconteça, as células que compõem órgãos e tecidos dependem de sua capacidade de renovação.

Embora a ciência ainda não saiba como as células se curam, sabemos como estimular a recuperação celular e evitar que elas venham a sofrer danos. Isto faz parte de uma estratégia simples que podemos resumir na tomada de algumas atitudes:
    alimentação saudável;
    exercícios físicos regulares;
    eliminação do estresse;
    evitar a exposição a toxinas.
Mesmo para aqueles que mantém um ritmo de vida equilibrado, o envelhecimento é um fato inexorável.

Mas por que envelhecemos? Duas teorias são aceitas hoje em dia: a do envelhecimento programado e a do envelhecimento por dano. Pela primeira teoria, envelhecemos porque os genes humanos são pré-codificados para uma determinada idade específica da morte. Deste modo, os cromossomos das células animais dispõem de um relógio biológico, que funcionando ao longo da vida, coordenaria o horário de inúmeras funções assim como tocaria o alarme interno. Seria então desencadeado o processo de morte, cuja época estaria ligada a idade biológica, uma variante entre as diversas espécies. Para nós seres humanos, esta idade estaria limitada à barreira dos 120 anos. Pela segunda teoria acredita-se que o desgaste biológico cumulativo determina a idade da morte.

Se combinarmos estas duas teorias pode-se chegar a uma conclusão de que a segunda pode vir a encurtar a primeira. Caberia então uma dúvida. Se pela primeira teoria, geneticamente estamos preparados para viver 120 anos, por que são tão poucos os que atingem esta marca? A resposta talvez esteja na teoria dos danos que aponta os radicais livres como responsáveis pelo envelhecimento acelerado e conseqüente diminuição do tempo de vida. Mas que vêm a ser estes vilões do envelhecimento?

A teoria dos radicais livres surgiu em 1954, com o Dr. Denham Harmon, que foi o precursor da teoria do envelhecimento, como conseqüência da ação dos radicais livres no organismo. Embora possam ser eliminados pelo organismo saudável muitos são subprodutos do metabolismo celular humano normal, enquanto outros são decorrentes de dietas inadequadas como, da exposição à substâncias tóxicas, etc. Seus efeitos sobre a saúde abrangeria também todas as doenças que nos afligem. Contudo muito destas doenças se constituem em heranças genéticas adquiridas, o que exime os radicais livres da culpa de serem os únicos responsáveis por sua ocorrência. No entanto, podemos evitar que o gene se manifeste. Mas para que isto aconteça precisamos compreender o que são radicais livres, como se originam e porque e como causam tantos danos. Evitando assim uma doença ou revertendo-a quando manifesta, diminuindo os radicais livres e mantendo as células saudáveis.

Recorrendo à bioquímica, observamos que as moléculas são constituídas por átomos unidos através de ligações químicas formadas por um par de elétrons. Quando as ligações químicas se desfazem, cada fragmento molecular passa a conter um único elétron em sua órbita externa, agora não pareado e ávido por estabelecer nova ligação. Estes fragmentos carregados, instáveis e reativos constituem os radicais livres. Portanto cada radical livre é capaz de procurar um parceiro rompendo sua ligação química, para se grupar. É o processo da oxidação onde os radicais livres oxidam praticamente tudo, além da capacidade que possuem de gerar novos radicais livres. Nessa busca desenfreada por novos parceiros os radicais livres destroem enzimas, atacam células, motivando nelas sérios danos estruturais ocasionando, como conseqüência, seu mau funcionamento e até a morte celular.

Para que melhor se entenda o perigo que representam os radicais livres ao perfeito funcionamento da célula é necessário que se entenda aqui a estrutura celular.

A célula possui o seu interior semelhante à uma geléia, envolvido por uma membrana, que se constitui numa barreira sofisticada e seletiva, que determina o que entra, o que fica e o que é expelido. Em seu interior existem diversas organelas, que são estruturas sub-celulares, dotadas de membranas protetoras e com funções especializadas. Assim, por exemplo, os lisossomos digerem o lixo celular, reciclando-o ou excretando-o. O núcleo da célula, que também é uma organela, é onde se encontra o DNA ou mapa genético da célula. Outra organela importante é a mitocôndria, formada por usinas sub-macroscópicas que transformam o oxigênio e o alimento em energia, que a célula utiliza ao realizar suas tarefas.

Os radicais livres ao se chocarem com uma célula podem causar danos à membrana celular, o que irá prejudicar a oferta de nutrientes e a remoção de produtos residuais da célula. Aliás a membrana celular é considerado alvo fácil dos radicais livres, devido à sua composição ser basicamente constituída de ácidos graxos, que são facilmente oxidáveis.

De todas as células do corpo, as células do sistema imunológico, por serem varredoras de radicais livres, são mais propensas ao seu ataque. Por esta razão sua capacidade de realizar sua tarefa fica diminuída, até que ocorra sua total deterioração. Com o tempo surgirão os primeiros sintomas dessa deterioração do sistema imunológico, através de quadros de fadiga persistente, infecções e alergias.

O processo de envelhecimento será acelerado diante de uma exposição prolongada aos radicais livres, cuja evidência se manifestará através do fenômeno da ligação cruzada. Este fenômeno, resultante do efeito cumulativo da ação dos radicais livres afeta as moléculas de proteínas, as enzimas, o DNA e o RNA. Como conseqüência a pele torna-se enrugada, as articulações menos flexíveis e as artérias enrijecidas, além de deterioração funcional de todo o organismo, causadoras das doenças degenerativas.

Resta-nos saber contudo, onde eles se encontram e o que podemos fazer para evitá-los.

Vamos encontrá-lo praticamente em tudo, desde o alimento que comemos, a água que bebemos e o ar que respiramos, até o nosso organismo, que é capaz de produzi-lo. Subproduto do metabolismo, os radicais livres são produzidos pela necessidade que a célula possui de utilizar oxigênio para transformar alimento em energia. Do oxigênio que respiramos, 95 a 98% participa do processo ATP formando água após sua redução tetravalente. Porém 2 a 5 %, por redução univalente, formam o superóxido, espécie reativa do oxigênio.

Existem portanto moléculas estáveis e instáveis de oxigênio percorrendo nosso organismo. O oxigênio estável é essencial à manutenção da vida. Já as formas instáveis são extremamente destrutivas e podem se apresentar sob a forma de radical hidroxila ou de radical superóxido.

O superóxido é pouco reativo, porém desencadeia uma cascata de outras espécies reativas de oxigênio. O superóxido, pela ação da enzima SOD, forma o peróxido de hidrogênio, que não é radical livre autêntico, uma vez que seus elétrons estão pareados. O seu perigo consiste no fato de possuir a capacidade de atravessar membranas celulares, como também se não for neutralizado, gerar o radical hidroxila, espécie muito reativa.

O radical hidroxila é conhecido na química, como o mais reativo e está ligado à doenças graves como o câncer. Esta doença se relaciona com a mutação da célula, após a lesão do núcleo central (DNA), provocada por ataque do radical hidroxila. Os radicais livres atuam como catalisadores, ou pontes, para desencadear reações químicas ou modificações em outras moléculas.

Embora nosso organismo esteja constantemente produzindo radicais livres, uma vez que o metabolismo depende da queima de oxigênio, isto não deve constituir motivo de maior preocupação. Isto porque algumas moléculas instáveis de oxigênio (radicais livres) são benéficas porque permitem o combate à inflamações, destroem bactérias e controlam o tônus dos músculos reguladores do funcionamento dos órgãos internos e vasos sangüíneos. Sua atuação eficaz e segura reside no equilíbrio que com freqüência é alterado. O que deve despertar nossa atenção é o excesso de radicais livres, resultantes desse desequilíbrio gerado por dois fatores: excesso de toxinas e falta de antioxidantes. O excesso de toxinas está ligado à uma série fatores como maus hábitos alimentares, contaminação ambiental, vícios como o álcool e o fumo, estresse e radiações que participam de nosso dia a dia:
    Alimentação rica em ácidos graxos insaturados, muitas vezes aumentados pelo processo de fritura dos alimentos, favorece a lipoperoxidação. Desta forma, quanto mais comermos gordura, mais radicais livres serão produzidos no nosso organismo.
    Gorduras do tipo trans são geradas pelo cozimento em altas temperaturas e hidrogenação. Estão presentes nas margarinas e gorduras hidrogenados, presentes em alimentos processados como batatas fritas e bolachas.
    Minerais tóxicos, como o chumbo, o mercúrio e o cádmio, com os quais convivemos diariamente, constituem uma fonte de formação de radicais livres além de atuarem sobre as enzimas e proteínas, inibindo sua função em nosso organismo, como destruidores de radicais livres. Também o alumínio, que além de provocar a descalcificação dos ossos provoca desequilíbrios minerais no cérebro, com conseqüências negativas sobre a memória. A contaminação por alumínio pode se dar através da própria água que consumimos, uma vez que este mineral é utilizado na sua clarificação e liberação de impurezas. Também medicamentos, como antiácidos, perfumes e solventes utilizados em produtos de limpeza, cola, tintas e solventes de tintas, contêm alumínio. A possibilidade de contaminação se estende ao uso de utensílios como panelas e quentinhas, quando aquecidas. O mercúrio presente em diversos agrotóxicos, utilizados em culturas como a do morango e tomate, representa um grande perigo para a saúde. Este metal pode também contaminar alimentos provenientes da pesca, através da contaminação ambiental. O mercúrio também está presente nas antigas amálgamas utilizadas nas obturações. Os efeitos do mercúrio se faz sentir por provocar a hipertensão, problemas no fígado e sistema nervoso, podendo inclusive causar depressão, por bloquear a ação da vitamina B12 no cérebro. O chumbo, por sua vez, está ligado aos problemas do aprendizado e aos de baixa imunidade. O chumbo é utilizado em tintas de parede, como fixador de tinturas de cabelo e na composição de alguns dentifrícios. O ar se apresenta impregnado de agentes formadores de radicais livres ( óxidos de enxofre e nitrogênio, monóxido de carbono, chumbo, amianto, fumaça de cigarro, etc.
    O álcool, quando usado em excesso, é responsável pela grande produção de radicais livres, devido a metabolização do etanol. Alcoólatras apresentam deficiência de certos antioxidantes exógenos, como as vitaminas E e C e o selênio.
    O fumo também contribui para a formação de radicais livres. Estes se formam, numa média de 100 trilhões por tragada, a partir da fase sólida (alcatrão) e gasosa. Seus outros constituintes, o cádmio, o chumbo e a nicotina bloqueiam o sistema antioxidante endógeno.
    O estresse emocional acarreta o aumento na formação e transmissão de aminocatecóis, que metabolizados pela enzima MAO formam H2O2, que são posteriormente transformados em radicais hidroxila.
    Exercícios físicos exaustivos elevam o consumo de O2, o que corresponde a um aumento nas espécies reativas de oxigênio. Durante a execução de exercícios físicos exaustivos, os radicais livres são produzidos de dois modos distintos. Uma forma se dá pelo aumento de oxigênio, que pelo bombeamento através dos tecidos libera radicais livres, radical superóxido principalmente, em outros tecidos, inclusive nas mitocôndrias. A segunda forma acontece através dos processos de “isquemia / reperfusão”. Durante a prática dos exercícios, devido a sua intensidade, o fluxo sangüíneo é desviado dos órgãos envolvidos (fígado, rins, estômago, intestinos) para os músculos em superatividade. Isto gera nos órgãos uma deficiência de oxigênio (hipoxia). Findo o exercício, o sangue retorna aos órgãos (reperfusão), ocorrendo uma explosão de radicais livres para os tecidos.
    As radiações podem ser ionizantes e não ionizantes. As reações ionizantes são constituídas pelos raios - X, beta, gama e radioterapia, que produzem radicais livres por radiólise da água dos tecidos expostos. As radiações não ionizantes principais são constituídas pelos raios UV que atingem o tecido cutâneo, fazendo com que a pele envelheça precocemente, além de causar catarata e doença macular ao globo ocular.
Contra os radicais livres e o estresse oxidativo dispomos de um sistema de defesa interno composto de antioxidantes internos ou “endógenos” que são defesas naturais produzidas no interior do corpo, com o poder de desarmar ou neutralizar as espécies de radicais e não - radicais de oxigênio reativo. São as enzimas SOD (superóxido dismutase), a catalase e GSH (glutationa peroxidase). Superóxido dismutase (SOD) acelera a dismutação do radical superóxido em peróxido de hidrogênio que por sua vez é transformado em água e oxigênio. A catalase é responsável pela dismutação do peróxido de hidrogênio em O2. A glutationa peroxidase (GSH) é uma enzima dependente do selênio, capaz de degradar o H2O2 em H2O mais glutationa oxidada, reação que ocorre na presença da glutationa reduzida, que depende dos aminoácidos cisteina, metionina e taurina .

A ação dos antioxidantes endógenos é reforçada, através da fortificação das defesas naturais do corpo, pela utilização de antioxidantes exógenos, que incluem as vitaminas E (alfa tocoferol), C e o betacaroteno, que é um precursor da vitamina A, minerais e oligoelementos. Alguns minerais, como o cobre, o selênio e o zinco, embora não possuam a capacidade de neutralizar os radicais livres, são importantes no processo antioxidativo, por participarem da produção de enzimas oxidativas, que são fabricadas pelo corpo à partir das proteínas sintetizadas a partir dos aminoácidos contidos nos alimentos.






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